LOLA A SANTA DE RIO POMBA

Praça Principal e Igrja Matriz de Rio PombaÚltima lembrança da Lola

NOTE: Todos estes relatos foram retirados de reportagens do jornal local O Imparcial de acordo com menção no final de cada reportagem

 

Rio Pomba chora a morte de Lola

Com veneração e respeito fiéis deram adeus a sua santa protetora.

Rio Pomba sentiu-se abalada no dia 9 de abril último, pela lamentável perda de Lola, aos 86 anos, uma de nossas figuras mais ilustres e respeitadas que soube, com resignação, dignidade e renúncia, aceitar sua predestinação, tornando-se uma criatura acima das contingências humanas.

Em virtude da queda de uma jabuticabeira em março de 1934 com a idade aproximada de 23 anos, que a deixou imobilizada dos membros inferiores, apesar de muitos tratamentos para sua recuperação, convivia há 65 anos com dores atrozes, superando os sofrimentos físicos com a sustentação e propagação de sua fé no amantíssimo Sagrado Coração de Jesus, envolvida nesse profundo sentimento e devoção que lhe fortaleza e vida.

Transcendendo a própria ciência médica pela não ingestão de alimentos, Floripes Maria de Jesus (conhecida como Floripes Dornellas de Jesus, assinando também Floripes Dornellas da Costa ), paralisada na cama desde 1936, passou a partir do ano de 1943 a recusar toda espécie de comida e bebida, não como penitência, e sim pela razão da rejeição de seu organismo, vivendo em jejum quase completo, apesar da resistência da família. Sua última dieta teria sido um caldo de cidra ralada.

Os mais antigos afirmam que por alguns anos teria retirado o colchão de sua cama, deitando-se sobre o estrado forrado apenas com o lençol, em sinal de mortificação, tendo a hóstia sagrada como seu único alimento há 65 anos.

O mistério que envolvia a vida de Lola - hoje explicado pela medicina como fenômeno raríssimo provocado por anorexia (rejeição de alimentos e líquidos) e que na normalidade leva a pessoa à morte, provocou muita curiosidade e romaria diária ao seu sítio Lindo Vale, 2,3 km da cidade, notadamente em fins de semana. A notícia se espalhou e milhares de pessoas de todos os recantos do país passavam por semana em sua propriedade, sendo atendidas por ela com atenção, sem visar mínimo interesse, sacrificando-se pelos devotos para que encontrassem lenitivos em suas orações.

Lola transmitia conforto, fortaleza e serenidade, deixando gravado nos corações dos fiéis o traço vivo de fé inabalável ao Sagrado Coração de Jesus através da oferta de santinhos, terços e novenas. O povo tinha o consolo de trazer da casa de Lola uma lembrança, seja ela um galhinho da jabuticabeira, uma flor ou folha de árvores de seu terreiro ou da beira da estrada. Sofrendo verdadeira tosa dos visitantes, o pé de jabuticabeira foi totalmente destruído, considerado pelos devotos como milagroso.

Nos idos de 1951, precisamente no dia 1º de julho a romaria foi oficializada pelo então vigário da Paróquia de São Manoel, o venerando padre Gladstone Batista Galo, que enfrentava caminhos enlameados, ora frio, ora o calor e a poeira para chegar ao sítio numa distância de 10 quilômetros de ida e volta de charrete e mesmo a pé. Deixava de gozar férias por lhe faltar substitutos, só para não deixá-la sem assistência espiritual e sem a comunhão. Os livros com os registros de presenças durante um mês no sítio, totalizaram o número de 32.980 pessoas, sendo no último dia do mês, em 30/07/1951, comprovado o número de 3.780 fiéis.

A partir de 20/07/1958, Lola afastou-se completamente do convívio com pessoas estranhas, pondo fim à romaria, não somente pelo episódio de uma reportagem sensacionalista da revista Manchete, no final de 1957, que a deixou muito amargurada, bem como em razão de sua saúde já agravada e pela sua estrutura física que não permitia receber o grande fluxo de devotos, a conselho médico e por interferência do então bispo, Dom Helvécio.

Da ampla reportagem da revista Manchete do ano de 1957, retratamos à parte, nesta edição, apenas as coisas boas publicadas e que suponha-se serem verídicas, já que não existe nenhuma instituição sua biografia.

Vida de Clausura:

Remanescente dos 11 filhos do casal, Sr. Joaquim Dornellas da Costa e Sr.ª Deolinda Maria de Jesus, Lola nasceu no município de Mercês aos 09 de junho de 1913 e era também a única tia e prima sobrevivente da primeira geração. Uma de suas irmãs, Cesarina, pertencia às Missionárias do S. Coração de Jesus da Congregação Cabriniana, recebendo o nome de Soror, Lúcia Nazarena de Jesus. Eram ainda seus irmãos: Alcides, José, Antônio, Nominato, Dolores, Dorvina, Djanira, América e Eurico.

Optando por uma vida de isolamento há 42 anos, sustentada pela força irremovível e poderosa da sagrada Eucaristia, Lola cercou-se somente de pessoas indispensáveis aos seus cuidados pessoais, de seus pertences e ainda sacerdotes e ministros para receber seu conforto espiritual diário. Em seu quarto conservava-se o altar do S. Coração de Jesus, com a exposição do SS Sacramento, direito exclusivamente reservado a ela, autorizado pelo então arcebispo de Mariana, D. Oscar, pela sua vida de acolhimento e oração. O Santo ofício da missa era ali celebrado por sacerdotes pelos menos uma vez por semana e ela sempre recebeu a Sagrada Comunhão das mãos dos ministros da Eucaristia: o saudoso Miguel Geraldo Vieira e sua esposa, Maria Aparecida (Cizinha) Chaves Vieira e Sr. Severino Almeida Vieira.

Embora recolhida em seu sítio sem nenhum contato com a vida externa, Lola entregou-se fielmente aos seu mister missionário, propagando o culto ao S. Coração de Jesus com novenário, através do livro "A Grande Promessa do Sacratíssimo Coração de Jesus" e do livro de orações "Amor, Paz e Alegria", de Pe. André Prevot (primeiro mestre de noviços da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus), o qual era ultimamente ofertado àqueles que lhe intercediam orações, tendo algumas pessoas sido privilegiadas com a belíssima imagem de seu devoto.

Em Rio Pomba não há uma só família que não tenha alcançado alguma graça por intercessão das orações de Lola ao S. Coração de Jesus, que também expandiu sua vocação missionária, fundando na cidade o Apostolado da Oração, deixando centenas e centenas de adeptos. Devota a Maria, pertencia à Irmandade das Filhas de Maria.

Na escritura Declaratória que fez em cartório, datada em 06 de abril de 1998 com dados sobre sua pessoa, ela especificou que "queria continuar até o fim da sua vida terrena mantendo silêncio, sem divulgação de sua vida, sob qualquer forma, especialmente pela impressa falada ou escrita, como direito assegurado a todo ser humano, tanto pela lei de Deus como pela lei dos homens." E ainda: "que era feliz, vivia da forma que queria, e que tinha direito, orando por todos, recebendo todo tipo de assistência material e espiritual por um grupo de pessoas que lhe dedicava todo carinho e afeto, de forma gratuita, uma vez que seus pais e irmãos já haviam falecido." Acrescentando que: "queria viver em paz, carregando sua cruz, fazendo-o com muita alegria e fé no Sagrado Coração de Jesus."

Além da assistência espiritual recebida de todos os vigários que passaram pela cidade e pelos atuais párocos, Pe. Mário Marcelo da Costa e Pe. Evaldo Bosco Zinato, Lola teve como diretor espiritual durante os últimos 13 anos, o Reverendíssimo. Pe. Paulo Dionê Quintão, Vigário Episcopal da Arquidiocese de Mariana, radicado em Barbacena, que a assistia uma vez por semana com a celebração eucarística. O médio Dr. Cláudio José Coelho Bomtempo, também daquela cidade, deu-lhe assistência permanente durante aos últimos 4 anos.

Sempre queixando-se de dores nas articulações, Lola estava há 4 meses com sua saúde abalada, apresentando insuficiência respiratória e enfraquecimento, vindo a falecer às 0:40 da madrugada, ao lado da freira de Barbacena, Irmã Terezinha Miranda, que também lhe prestava todo seu carinho e assistência diária, em conseqüência de um choque cardiogênico, insuficiência cardíaca congestiva e sobrecarga ventricular, conforme declaração de óbito, também com o registro de patologias: paraplegia (pós queda), osteoartrose acentuada e estenose aórtica.

Ë interessante relatar que 2 h e 40 min. antes de sua morte, Lola teve à beira de sua cama, as presenças amigas do Dr. Cláudio Bomtempo e do revdo. Pe. Paulo Dionê, o qual celebrou a Santa Missa concedendo-lhe o conforto espiritual da Eucaristia.

Deixou testamento lavrado em cartório e a incumbência entre aqueles que a cercavam de dar continuidade a sua obra na propagação da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

 

Seus funerais:

Despertada na sexta-feira, 9 de abril, com a dolorosa notícia do passamento de Lola, a comunidade fora imediatamente impelida à Igreja Matriz de São Manoel, onde o corpo já estava exposto desde às 7 horas da manhã para a visitação pública, ali sendo oficiadas nove celebrações eucarísticas durante todo o dia.

Cerca de 5000 devotos e curiosos passaram pelo local e estiveram em vigília durante toda a noite, revezados pelas associações religiosas e grupos de jovens, recebendo Rio Pomba caravanas das mais variadas localidades mineira e dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, inclusive presenças da mídia mineira e nacional representadas pela Rede Globo de Televisão, Sistema Brasileiro de Televisão, TV Alterosa, TV Tiradentes e jornais Estado de Minas, Hoje em dia, O Tempo, Diário Regional e outros. Tudo acontecendo em clima de muita ordem, piedade e respeito, sob a organização de católicos voluntários, com o apoio da Polícia Militar. Pessoas de muito longe ou de localidades vizinhas congregaram-se com a comunidade riopombense em sinal de reconhecimento a Lola por graças alcançadas.

Declarado luto oficial por três dias pelo Ex.mo. Sr. Prefeito municipal, Dr. Antônio Fernando Fernandes Caiafa, foram suspensas as aulas dos educandários e muitas casa comerciais paralisaram suas atividades.

A movimentação ininterrupta cresceu assustadoramente no dia seguinte e o templo de São Manoel foi pequeno para acolher os milhares de fiéis que também concentraram-se na praça em frente à igreja e nas ruas adjacentes, para assistir o último ofício da Santa Missa presidida pelo Rev.mo. Pe. Paulo Dionê Quintão e concelebrada solenemente, sob o brilhantismo do afinadíssimo coral de São Manoel. Estiverem presentes ao ato eucarístico e exéquias da veneranda extinta, além do Vigário Episcopal, Pe. Paulo Dionê Quintão e dos párocos, Pe. Mário Marcelo da Costa (São Manoel) e Pe. Evaldo Bosco Zinato (N. Sr.ª do Rosário), que celebrou a cerimônia de encomendação os sacerdotes: Monsenhor Miguel Falabella (Catedral – Juiz de Fora), Cônego Maurício Saraiva ( Santa Cruz - Juiz de Fora), Pe. Luiz Duque Lima (Juiz de Fora), Pe. Nilson Ghetti (Juiz de Fora), Monsenhor Vicente de Paulo Penido Burnier, Pe. Geraldo Magella Dutra (Juiz de Fora), Pe. Nicolau Caetano (Juiz de Fora), Pe. Pedro Lamya (Juiz de Fora), Pe. João Batista Boaventura Leite, (C.SS.R. – Juiz de Fora), Pe. José de Oliveira Valente (Alfredo de Vasconcellos), Pe. Cláudio da Silva (Rosário de Limeira), Pe. Joel Martins de Abreu (Rio das Flores/RJ), Pe. Francisco Vidal (Gov. Valadares), Pe. Alvim Valério (Barbacena), Pe. Francisco de Assis Pereira (Pará de Minas), frei José da Cruz O.F.M (S. João del Dei), Pe. Antônio Firmino Lopes Lana (Ubá), Pe. Paulo Arrithi Franco (Contagem), Pe. Jorge Luís de Miranda Vieira (Divinésia), Pe. Semer Salim Oliveira (São Geraldo), Pe. Lindomar José Bragança (Ressaquinha) e diácono Antônio Rodrigues do Prado (Barbacena).

As palavras envolventes do celebrante tocaram profundamente nos fiéis e, precisamente, às 10 horas, a veneranda extinta teve sua saída triunfal do templo, sob os aplausos calorosos de todos que, com muita comoção e gestos de adeus acenavam lenços e davam passagem ao esquife conduzido nos ombros por sacerdotes até o carro de Bombeiros de Juiz de Fora, com a entoação de cânticos de louvor a Jesus e Maria.

Calculou-se o número de mais de 15.000 pessoas no cortejo fúnebre conduzido ao cemitério municipal, não comportando no recinto nem a metade da procissão. A última encomendação foi celebrada pelo Reverendíssimo. Pe. Evaldo Bosco Zinato diante do sepulcro, que revestiu-se de variados ramalhetes de flores e coroas póstumas.

As paróquias de São Manoel e N. Sr.ª do Rosário celebraram na última quinta-feira, 15, às 19 horas, concorridas solenes missas de 7º dia em intenção de sua boníssima alma.

Seu passamento continua atraindo considerável número de fiéis para visitas ao seu túmulo.

Assim reportava a Manchete em sua edição de 2 de novembro de 1957:

"Lola era gameleira. Diariamente levava para os trabalhadores do campo as gamelas de comida. Ao mesmo tempo fazia mantas para cavalo. E, nesse ofício, consegui juntar dinheiro suficiente para comprar uma vaca. Mais tarde, no mesmo sistema de operação financeira, já possuía um pequeno rebanho, o qual comercializou.

Aos 23 anos, Lola, observou, certo dia, à sua mãe, que a jabuticabeira estava cheia de frutos e seria aconselhável retirá-los para vender. Sua mãe desinteressou-se. Lola muniu-se de uma lata, fez dois furos, amarrou um arame em forma de alça e subiu. À medida que enchia lata, o galho que a sustentava começava a inclinar-se e, num movimento para evitar a queda dos frutos no chão, Lola desequilibrou-se e caiu. Era o dia 30 de março de 1934.

Trazida para a casa quase desfalecida, recebeu os socorros de emergência. Piorando seu estado, foi remetida para Juiz de Fora. Entre 1934 e 36 sua saúde oscilou entre melhoras periódicas e recaídas, até que nesse ano se agravou seu estado, ficando paralítica dos membros inferiores, com um heptoma no estômago e uma dor permanente na medula junto ao coração.

Desesperada de alcançar cura, Lola, decide-se em 1936, a evitar qualquer tratamento e adotar um novo tipo de vida.

Começou por recusar remédios e alimentos. A princípio tomava, ainda, caldo de lima ralada, laranja gelada e caldo de cidra. E nessa dieta se manteve até 1943, quando decidiu abolir completamente qualquer tipo de alimentação, até mesma líquida, para se entregar a uma abstinência completa.

Durante algum tempo pleiteou de sua mãe que lhe permitisse retirar o colchão para ficar somente sobre a madeira do estrado, cheia de nós. E levou sua insistência à súplica, até que um ano antes de a mãe falecer, conseguira abolir a pouca comodidade do colchão e ficar apenas num estrado que se mandou fazer para o sacrifício – que ela alegava ser mais cômodo, mas que todos afirmam que se tratava de um pormenor de sua imolação.

Declarações de Pe. Galo:

"Em 1943 – diz o padre, comecei a dar comunhão a Lola, mas nessa época ainda espaçadamente. Mais tarde amiudei as visitas. Ia-me interessando pelo caso, verificando a sinceridade de seu voto de perfeita católica. Lola tinha pobreza, obediência e castidade. Em março de 1951 comecei a dar-lhe comunhão diária. A princípio me cerquei das cautelas necessárias para não emprestar a essa moça um caráter de santidade apenas por seu jejum. Mas aos poucos fui verificando sua extraordinária pureza e bondade."

Um tanto constrangido, o padre esclarece pontos da sua diligência para averiguar a autenticidade do fenômeno de não-desassimilação apresentado por Lola. Diz que começou por examinar embaixo da cama, para ver se encontrava qualquer vasilha. E viu somente livros. Nunca sentiu mau cheiro no quarto. Nem qualquer indício de desassimilação – submeti-a um rigoroso interrogatório – prossegue – em que diariamente procurava esclarecer pontos de sua vida. E sempre verifiquei a maior obediência e mais plena sinceridade no seu comportamento.

E qual foi o resultado de suas observações? – perguntamos.

Antes de responder o padre faz um preâmbulo para esclarecer que, além das inquirições, levou três dias, em 1951, com uma vigilância permanente, da qual participaram em forma de rodízio, outros dois padres e a mulher do médico Romeu Vidal.

Com base nas observações recolhidas durante esses dias de contínua vigilância, além do depoimento de seus parentes, confirmando-as, concluímos que os fenômenos de Lola são os seguintes: não se alimenta de qualquer coisa, exceto de hóstia que lhe dou em comunhão, diariamente. Não desassimila absolutamente nada, não urina, não evacua, não bebe líquidos e não anda. Apesar disso, Lola não aparenta uma histeria que seria natural em um caso comum. É equilibrada e calma. E não dorme. Seus olhos limpos são sempre abertos, dia e noite.

 

 

Pe. Paulo defende sua canonização:

Há 13 anos, Pe. Paulo Dionê Quintão, Vigário Episcopal da Diocese de Mariana, radicado em Barbacena, prestava sua assistência espiritual a Lola e vem reunindo documentos para a formalização do processo de beatificação e canonização, acreditando que "ela é santa no coração das pessoas e isto pode ser comprovado pela vida contemplativa e humilde que levou durante dezenas de anos."

Explicou à imprensa que este processo demora cerca de 30 anos, mas esse tempo pode ser acelerado desde que se comprovem três milagres documentados e atribuídos a Lola, além de um estudo sobre sua vida.

Sobre o fato dela se alimentar apenas de hóstia Pe. Paulo esclareceu que depois que ela ficou entrevada, não sentia a necessidade se alimentar, não tinha sede e sono; e reclamava nos últimos meses de muitas dores. Esclareceu que nunca fez investigações ou perguntas, mas que ela gostava muito da vida, apesar dos sofrimentos. "Tenho certeza de que sua morte não significa o fim. Pelo contrário, Lola vai continuar nos corações de todos e sempre estará ajudando seus seguidores." Afirmou que não gostava de ingerir medicamentos e nos últimos meses, ela tomou quatro comprimidos antidepressivos dissolvidos na língua. Ela só aceitava usar medicação externa, como compressas com ervas medicinais. Acrescentou que Lola não ficou enclausurada por uma opção de vida e, mesmo isolada, ela continuava em comunhão com as pessoas através da oração. A Santidade dela pode ser atestada por sua vivência contemplativa e não pelas graças que tenha intermediado.

Novenas, orações e curas de Lola em Rio Pomba

Promessas do Nosso Senhor Jesus Cristo aos devotos de Seu Sacratíssimo Coração:

Feitas à Santa Margarida

Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.

Trarei e conservarei a paz a suas famílias.

Consolá-los-ei em todas as suas aflições.

Ser-lhes-ei refúgio seguro na vida e principalmente na morte.

Lançarei bênçãos abundantes sobre as suas empresas.

Os pecadores acharão em meu Coração a fonte e o oceano das misericórdias.

As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas.

As almas fervorosas elevar-se-ão em pouco tempo, a uma alta perfeição.

A minha benção pousará sobre as casas em que se achar exposta a veneranda imagem do meu Sagrado Coração.

Darei aos sacerdotes o poder de tocar os corações mais endurecidos.

As pessoas que propagarem esta devoção terão seus nomes inscritos para sempre em meu Coração.

A todos que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses seguidos darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.

Eu o vejo, tu estás comovido. Não julgaras que o Coração de Jesus te amasse assim. Aproveita, pois, este instante feliz em que a voz de Jesus se fez ouvir em tua alma de um modo todo particular para Lhe pedires a graça de que necessitas e para Lhe prometerdes que receberás a santa comunhão na primeira sexta-feira de cada mês, ou melhor, em cada sexta-feira ou mesmo todos os dias. Se for este o desejo do Coração de Jesus, não Lhe negarás esta prova de amor.

Para dizer diante da imagem do crucificado:

Eis-me aqui, ó meu bom e dulcíssimo Jesus! De joelhos me prosto em vossa divina presença, e com o mais vivo fervor, Vos rogo e suplico que imprimais em meu coração sentimento de fé, esperança e caridade, de dor dos meus pecados e de propósito de nunca mais Vos tornar a ofender, enquanto eu com todo o amor e com toda a compaixão vou meditando nas vossas cinco chagas, tendo diante dos olhos aquilo, ó bom Jesus, que já punha em vossa boca a respeito de Vós o profeta Davi: transpassaram minhas mãos e pés, cortaram todos os meus ossos.

(Dize ainda cinco Pai-Nosso segundo as intenções do Sumo Pontífice para ganhares a indulgência plenária).

Terço ao Sagrado Coração de Jesus:

Nas contas grandes:

Lembrai-vos, ó misericordiosíssimo Jesus que sois Pai bondosíssimo e cheio de ternura para com os vossos filhos. Certa de vosso infinito amor, eu me entrego ao vosso Coração, onde encontro a força, perseverança, a paz, a alegria e a doce confiança em minhas súplicas segundo vossas palavras:

"PEDI E RECEBEREIS" ; "BUSCAI E ACHAREIS" ;"BATEI E ABRI-SE-VOS-Á"

Eu bato, procuro e peço esta graça que me é tão necessária. (Aqui se pede o que se deseja) tudo para maior glória de Deus e bem de vossos filhos. Amém.

Nas contas menores:

Sagrado Coração de Jesus, em confio em vós.

(300 dias de indulgência de cada vez: indulgência plenária nas condições habituais a quem recitar esta invocação diariamente durante um mês).

Invocações ao Sagrado Coração:

Para implorar qualquer graça:

Coração de meu Jesus, Vós vos destes todo a mim. Espero que também me concedereis os vossos dons. Glória dos Pai etc. – Doce coração do meu Jesus, fazei que vos ame cada vez mais. (300 dias).

Coração do meu Jesus, Vós sois a fonte de todas as graças, espero não me negareis o que humildemente Vos Suplico. Glória ao Pai etc. – Doce Coração etc.

Coração de meu Jesus, o abismo de vossa misericórdia vence infinitamente minha ingratidão; confio por isso, que não haveis de rejeitar o que Vos peço. Glória ao Pai etc. – Doce Coração etc.

Coração do meu Jesus, em Vós se encontra o remédio para todos os males; atendei-me, pois, suplico-Vos a necessidade que Vos venho expor. Glória ao Pai etc. – Doce Coração etc.

Coração de meu Jesus, Vós que Vos queixastes mais vezes a vossa serva Margarida Alacoqie da negligência dos homens em Vos pedir favores, ouvi-me, pois Vos suplico, no que Vos peço. Glória ao Pai etc. – Doce Coração etc.

Coração de meu Jesus, Vós fizestes grandes promessas aos que recorressem a Vós, fazem, pois, que eu, ainda que indgno, lhe sinta os efeitos. Glória ao Pai etc. – Doce Coração etc.

V) Coração de Jesus abrasado de amor por nós.

R) Inflamai o nosso coração de amor por Vós.

Oração: Deus onipotente, rogamo-Vos, concedai que nós, gloriando-vos no Santíssimo Coração de nosso amado Filho, e rememorando os grandes benefícios do seu amor, possamos participar dos frutos desse amor, pelo mesmo Jesus Cristo Senhor Nosso, que convosco vive e reina Deus, na unidade com o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Novena eficaz ao Sagrado Coração de Jesus

Ó divino Jesus, que dissestes: Pedi e recebereis: procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á, eis-me prostado aos vossos pés, cheio de viva fé e confiança nessas sagradas promessas ditadas pelos vossos lábios adoráveis. Venho pedir-vos (aqui se faz o pedido).A quem pedirei, ó doce Jesus, senão a Vós, cujo coração é inesgotável manancial de todas as graças e merecimentos? Onde o procurarei a não ser no tesouro que contém todas as riquezas de vossa clemência e bondade? Onde baterei a não ser à porta do vosso Sagrado Coração, pelo qual o próprio Deus vem a nós e nós vamos a Ele? A vós, pois recorro, ó Coração de Jesus. Em vós encontro consolação quando aflito, proteção quando perseguido, força quando oprimido de tristeza, e luz quando envolto nas trevas da dúvida. Creio fielmente que podeis conceder-me as graças que vos imploro ainda de fosse por milagre. Sim, ó meu Jesus, se quiserdes, minha súplica será atendida. Confesso que não sou digno dos vosso favores, mas isso não é razão para eu desanimar. Vós sois o Deus de Misericórdia e nada sabereis recusar a um coração humilde e contrito. Lançai-me um olhar de piedade eu vô-lo peço. Vosso compassivo coração achará, nas minhas misérias e fraquezas um motivo imperioso para atender a minha petição. Mas, ó Sacratíssimo Coração de Jesus, seja qual for a vossa decisão no tocante ao meu pedido, nunca vos deixarei de amar, adorar, louvar e servir. Dignai-vos, ó meu Jesus, receber este meu ato de perfeita submissão aos decretos no vosso adorável Coração, que sinceramente desejo ser satisfeito, tanto por mim como por todas as criaturas, agora e por todo o sempre. Amém.

" Doce coração de Jesus fazei que eu vos ame cada vez mais."

Comungar em cada dia da Novena, ou ao menos no último dia.

Mensagem da Arquidiocese de Mariana:

A paróquia de São Manoel, por intermédio dos Revdmos. Pe. Mário Marcelo da Costa e Pe. Paulo Dionê, Vigário Episcopal, recebeu a expressiva mensagem enviada pelo Mons. Vicente Dilascio, Vigário Geral da Arquidiocese de Mariana, em nome do Arcebispo, Dom Luciano Mendes de Almeida.

Bonita Vida:

A Igreja Particular de Mariana, ao seu Arcebispo Dom Luciano Mendes de Almeida, ao mesmo tempo que pranteiam o falecimento da virtuosa Lola, bendizem a Deus pela sua bonita vida.

A sua existência de sofrimentos, Lola transformou-a, sim, numa vida bonita, pelo espírito de sacrifício e de oração, sempre em união íntima com o Sagrado Coração de Jesus.

Alimento único que a sustentava era a comunhão de cada dia..

No seu leito de padecimentos tornou-se grande missionária. Evangelizou com todo ardor missionário. Com todo amor que devotou à Igreja.

Dos merecimentos de sua vida tão bonita beneficiaram-se, enormemente, as vocações sacerdotais, os sacerdotes, os pobres, a Arquidiocese, todo o Povo de Deus, de modo especial das comunidades paroquiais de Rio Pomba.

Tantas vezes o Sr. Arcebispo a visitou, transmitindo-lhe consolo e alegria com sua presença, enquanto ele mesmo se beneficiou com a forca da oração e dos sacrifícios que em Lola era contagiante.

Como gostaria Dom Luciano de estar hoje em Rio Pomba!

Por nosso humilde intermédio, o Sr. Arcebispo Dom Luciano, lá de Bogotá, onde se encontra em reunião do CELAM, quer dizer que está, sim, presente aí em Rio Pomba, rezando com todos, bendizendo no Coração de Jesus que proporcionou à Lola as forças e graças. E como sabia ela saborear os Dons de Deus, para tornar toda a sua existência uma Vida tão bonita!

Lola entregou seu espírito ao Pai na Semana da Páscoa. Continua sua missão no céu, participando dos esplendores de Cristo Ressuscitado, como missionária do Coração de Jesus, para que todos tenha Vida e a tenham em abundância.

Ao prezado Pe. Paulo Dionê, Vigário Episcopal da Região Sul, que com assiduidade e zelo sacerdotal assistiu espiritualmente à virtuosa Lola, o Sr. Arcebispo pede para representá-lo e a Arquidiocese nas exéquias, enquanto nos deu a honra de transmitir esta afetuosa mensagem.

Mariana, 09 de abril de 1999.

Mons. Vicente Dilascio

Vigário Geral.

 

Fonte: O IMPARCIAL – 18/04/1999

 

Simples e Profundamente bela

Floripes Dornellas de Jesus (mais conhecida como "Lola")

(27/06/1913 – 09/04/1999)

Uma história de vida que despertou a atenção da inteligência e da fé de muitos!

A pessoa: Ninguém de nós gostaria que aquele momento tivesse chegado: a separação física de alguém tão especial. Uma pessoa encantadora! Dotada de uma boa formação humana e religiosa, cultivou com exemplar dedicação os valores do Evangelho. Sua educação era a da mais fina fidalguia, sustentada por uma humildade que deixava seus interlocutores à vontade. Presença leve e atenciosa para com todos, possuía uma simpatia que transbordava nos gestos e palavras. Uma inteligência e perspicácia colocadas sempre a serviço de Deus, através de seu jeito simples de ser. Possuidora de autêntica consciência crítica, sabia muito bem discernir dos acontecimentos. Sua pureza de coração era da graça de Deus e nunca por ingenuidade. Sofreu muito, porém não perdia a paz, a serenidade. Associou-se a Jesus na mais íntima confiança em Seu amor. Fez do Sagrado Coração Eucarístico de Jesus o tudo na sua vida. É muito mais que se tem a destacar em seus valores pessoais... Cada um traz consigo uma vasta complementação neste testemunho...

O contexto: De uma infância, adolescência e começo de juventude vividos num ambiente religioso, como integrante da "Pia União das Filhas de Maria", cultivando os mais escolhidos valores humanos, Lola se depara com um acidente em sua saúde: cai, por volta dos 19 anos, de uma jaboticabeira. Ainda na noite de seu falecimento, poucas horas antes de deixar este mundo, ela narrava detalhes da queda para um de seus médicos, Dr. Cláudio José Coelho Bomtempo e para mim. Descrevia como afetou gravemente sua coluna , seus rins, etc... Paraplégica, sem poder se deslocar de seu leito, após algumas viagens a Juiz de Fora, quando sua família tentava todos os meios para aliviar-lhe as fortes dores e superar as alterações em seu organismo (pois não sentia mais fome, nem sono, nem sede), pediu insistentemente que não mais lhe aplicassem nenhum remédio. Mais de uma vez ela me contou que, após a aplicação, o remédio das injeções voltada pelo orifício feito pelas agulhas. Sua vida ficou muito diferente. Dedicou-se mais ainda à oração, e mesmo entre tais dores, não perdeu seu bom humor, sua paz e confiança no Sagrado Coração de Jesus. Dentre os que a visitavam, a grande maioria pedia orações. Ela recomendava confiantes orações. Muitos milagres e prodígios começaram a acontecer. Aumentou enormemente o número das "romarias". Até dez mil pessoas ao dia acorriam a ela. Mesmo que um de nós, em plena saúde, se dispusesse ao atendimento de tanta gente, não resistiríamos. Po isso, interromperam0se as visitas, por volta de 1960, o Bispo Dom Daniel comunica ao Arcebispo Dom Helvécio tal necessidade, para o bem daquela frágil criatura. Lola acolhe na obediência e na simplicidade de coração. Sempre manifestou, até o fim, a sua gratidão por este gesto da igreja, pois além do desgaste, sofria com o inconveniente comércio informal que vinha se desenvolvendo por parte de terceiros, nas redondezas. Tinha uma bela consciência sobre a gravidade do mercantilismo da fé. Dizia: "Jesus já foi vendido uma vez..."A sombra de Jesus é muito boa, mais coitado de quem fez da sombra d’Ele um meio para ganhar dinheiro". A incompreensão e insistência de muitos quanto à restrição das visitas apenas aos sacerdotes e os que lhe prestavam serviços, trouxeram-lhe muito sofrimento. Não gostava da divulgação sobre sua pessoa. Dizia que Jesus teve inimigos e os dela eram todos os que ficavam insistindo em divulgá-la. Vivia na contemplação do Cristo Vivo. Sem fanatismo ou alienação. Uma vizinha que passava na estrada olhou para a fazenda, era domingo à tarde, ficou com pena de Lola sozinha naquela casa (pois, após o falecimento de sua irmã Dorvina, ela passou os últimos anos morando sozinha), acabou de chegar e foi conversar um pouco com ela em seu quarto. Ao contar-lhe de seus sentimentos, a Lola lhe disse: "Eu, sozinha? Triste? Não. Jesus está aqui. Eu não estou sozinha e nem triste". Embora as dores eram muitas e, por vezes, somadas às insistências de repórteres ou tentativas de visitas, ela enfrentou e venceu o sofrimento, sem interromper o seu apostolado: divulgar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

A mensagem: É possível e viável ser feliz enquanto se caminha neste mundo, O sofrimento? É um companheiro inseparável do ser humano. Porém, pode ser vencido sempre. Lola nos deixa o caminho de uma espiritualidade que se baseia na confiança no Sagrado Coração de Jesus. Disse muitas vezes que "as crianças correm para parte dos pais porque encontram neles proteção. Nós também devemos correr para perto de Jesus." Deu-nos o testemunho de que vale a pena ser bom e fiel à vontade de Deus. Perto de seu falecimento disse. "Jesus podia me levar para o céu..." Sua frase principal: "Tudo por Vós, ó Sagrado Coração de Jesus!". Seu sepultamento foi a festa de sua entrada no céu: 25 padres, inúmeras religiosas e, aproximadamente 15 mil pessoas, na praça e igreja matriz de São Manoel na manhã de sábado, 10 de abril, em Rio Pomba, a aplaudiram demoradamente... Afinal, trata-se mesmo de uma vida simples e profundamente bela!

Rio Pomba, 15 de abril de 1999.

Padre Paulo Dionê Quintão – Vigário Episcopal.

 

O adeus a Lola:

O ano de 1999 em nossa cidade, não obstante estar ainda no início do segundo trimestre, tem servido de palco para inúmeros acontecimentos que, de uma forma ou de outra, abalaram profundamente os riopombenses. Os jornais mineiros e de todo o país noticiaram a morte de Floripes Dornellas, a Lola, a Santa de Rio Pomba, que durante mais de sessenta anos se alimentou unicamente da Eucaristia pregando, em sua humildade, a fé, a oração, a veneração a Jesus Cristo, o amor. Todavia, acredito, nenhum periódico mineiro ou nacional conseguiu dar ao fato uma cobertura jornalística tão precisa, rica de fatos e detalhes, como a proporcionada pelo nosso semanário "O IMPARCIAL". No último domingo , dia 18, filas e mais filas de pessoas se formaram no hall de nossa antiga rodoviária – com leitores riopombenses e de outras cidades, ávidos em adquirir um exemplar da edição histórica. Sem entrar no mérito da vida e obra de Lola, penso que os riopombenses sempre se lembrarão dela, com respeito, com veneração, com saudades, muito embora os mais novos não a tenham conhecido porque desde muitos anos atrás ela deixou de receber as pessoas, pois sua saúde abalada não lhe permitia. A casa onde viveu Lola deveria ser tombada. Assim o fazendo estaremos preservando a memória daquela que em sua humildade, sofrimento e reclusão, acabou se transformando num exemplo de vida, em tempos de vida cada vez mais atribulada, mais abalada, pelo consumismo, pela violência, pela deterioração dos costumes, sem Deus, sem fé, sem amor ao próximo.

Fonte: O IMPARCIAL – 25/04/1999

 

Testamento de Lola rege os destinos de seus bens à obra apostólica de evangelização:

O IMPARCIAL, leva hoje à comunidade e aos riopombenses ausentes, o conteúdo da escritura de testamento que fez Floripes Maria de Jesus, também conhecida pelo nome de Floripes Dornellas da Costa (Lola), aos 7 de fevereiro de 1983, na residência da testadora, em seu sítio Lindo Vale, registrada pela tabeliã Rita de Cássia Silva Vieira Campos, do Cartório do Segundo Ofício. A escritura pública foi levado ao conhecimento da Congregação dos Padres Jesuítas do Brasil, herdeira de seus bens imóveis, que aqui esteve representada na semana p. passada pelo Reverendíssimo. Pe. Roque Schneider, um dos legítimos administradores nomeados por Lola, hoje presidente nacional do Apostolado da Oração e apresentador do programa "Momentos de Reflexão" na Rede Vida de Televisão. Também nomeado para a administração dos bens de Lola o Pe. Romeu Ribeiro de Faria, já falecido, que fora o fundador do Apostolado da Oração Masculino em Rio Pomba, por vontade dela, na data de 15/08/1954, sob a presidência do nosso querido e saudoso José de Assis Vieira, época em que aqui era vigário, o saudosíssimo Pe. Gladstone Batista Galo. Pe. Schneider deu seu parecer sobre a destinação dos bens, deixando claro que a comunidade riopombense deverá levar em frente e com disposição os projetos de Lola, mencionados no testamento, transformando o local num centro de propagação à devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a quem ela dedicou toda a sua existência.

Uma luz acendeu-se no infinito:

Quando morre uma pessoa é comum: ela descansou, estava sofrendo muito! Ela era tão jovem! Por que Deus a levou tão cedo? Faleceu a Lola e o que podemos argumentar! Ela veio ao mundo para cumprir uma tarefa muito especial? Qual será o mistério que envolveu a sua vida, sozinha, no silêncio do seu quarto? Ela tinha a visão do Cristo ressuscitado? Muitas perguntas serão feitas, mas Deus não nos revelou o mistério da morte e tampouco o mistério que envolve a vida de uma pessoa escolhida por Ele. A Lola nunca se preocupou em aparecer na mídia. O Pe. Francisco usou sabiamente as palavras, quando disse que a Lola preferiu recolher para que o Cristo aparecesse. O perigo é quanto a nossa vaidade tenta ofuscar o brilho de Jesus junta às massas. Quando o argumento é fraco nós precisamos gritar, mas quando a gente está com a verdade e está com a consciência tranquila, a gente não precisa provar nada a ninguém. A sua vida me fez lembrar do Apóstolo Paulo – "já não sou quem vive, mas Cristo vive em mim.". A imprensa noticiou e alguns me perguntaram se era verdade que ela só se alimentava de hóstias. Falando desse forma, tem-se a impressão de que ela comia um prato cheio de hóstias como se come arroz com feijão. Jesus recebido diariamente em comunhão foi o suficiente. "Quem comer deste pão viverá eternamente"...Sempre disse que quando a Lola morresse em iria a Rio Pomba me despedir dela. Graças a Deus me foi dada essa oportunidade e na volta para casa, me senti se tivesse perdido uma pessoa da família, bem próxima e querida. Ela nos deixou como herança a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. A natureza se entristeceu conosco no dia de seu sepultamento! O seu carisma contagiou a todos nós e especialmente àqueles que acreditavam na sua santidade. Ela não sofria de anorexia e a sua aparência era normal. O Espírito Santo fez morada naquele corpo, por isso ela viveu de forma como viveu, oferecendo a Deus em oblação toda sua dor física. Segundo os Evangélicos, os Católicos adoram os Santos. Adoramos a Deus! Os Santos são pessoas que se despojaram do pecado, do orgulho e de toda mesquinhez, imitando a vida de Cristo e vivenciando o Evangelho ao pé da letra. Visitei a Lola algumas vezes quando eu era criança e não me esquecei jamais do seu rosto, da sua voz e do seu olhar cândido. Rio Pomba ficou órfã? Acredito que podemos nos sentir orgulhosos pela pessoa tão carismática que ali viveu! Algum dia Rio Pomba será citada na história espiritual da Igreja Católica como o berço terreno que a abrigou por longos anos. O seu corpo poderá ser uma das provas que o Vaticano a reconheça como Santa. Obrigada Jesus por nos emprestado a sua filha tão querida Floripes Dornelas! Obrigada, por pertencermos à Igreja de Pedro e pelo dom da fé tão presente em meu coração. O céu está em festa porque mais uma luz brilhará para sempre no Reino de Deus.

Maria Helena Clemente – Belo Horizonte, 14/04/99

Benfeitorias de Lola serão transformadas em Centro de Propagação a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Transcrevemos as partes essenciais da Escritura do Testamento de Lola lavrada no livro 1T, fls 71v a 75, em 7 de fevereiro de 1983, pela tabeliã Rita de Cássia Silva Vieira Campos, do Cartório do 2º Ofício de Notas da Comarca de Rio Pomba:

"SAIBAM quantos este público instrumento de testamento virem que, aos sete (07) dias do mês de fevereiro do ano de hum mil novecentos e oitenta e três (1983), da Era Cristã, na zona rural deste Município de Rio Pomba, Estado de Minas Gerais, República Federativa do Brasil, na residência da testadora, no lugar denominado "LINDO VALE", onde vim a chamado, compareceu a testadora FLORIPES MARIA DE JESUS, também conhecida por FLORIPES DORNELAS DA COSTA, brasileira, solteira, maior, com setenta e um anos de idade, de prendas domésticas, estando também presentes as cinco (05) testemunhas idôneas, previamente convocadas para este ato e que são as seguintes: D. Cleonice de Carvalho Deotti, solteira, maior, cotnadora, TE nº 20596, 142ª ZE-MG., residente e domiciliada em Juiz de Fora-MG.; Francisco Pereira Campos, pecuarista, casado, C.ID. RG.M-2.320.111-SSP-MG., em 03/06/1980; Antônio Mendes de Oliveira Campos, casado, industrial, cartão de Id. Reg. nº 330.301, SSP-MG em 17/04/1962; Amantino Teixeira Quintão, casado, beneficiário do INPS, TE nº 5.613 230ª ZE-MG.; Geraldo de Assis Coelho, solteiro, maior, eletrotécnico, TE nº 11.249 230ª ZE-MG, todos brasileiros, pessoas capazes, sendo a testadora minha conhecida e das testemunhas referidas, também minhas conhecidas e, que comigo constataram achar-se a mencionada testadora FLORIPES MARIA DE JESUS, também conhecida por FLORIPES DORNELAS DA COSTA, em pleno gozo das faculdades do entendimento, revelndo estar em perfeito juízo e, livre de toda e qualquer coação ou constrangimento, do que dou fé. E, na presença das testemunhas, a testadora que se encontra em uma cama, onde permanece há vários anos, declarou a mim tabeliã, o idioma nacional, que resolveu fazer, como ora faz, pela presente escritura e nos melhores termos de direito o seu testamento e disposição de última vontade; que é brasileira, solteira, maior, tendo nascido no dia vinte e sete (27) de junho de hum mil novecentos e onze (1911), em Mercês, neste Estado de Minas Gerais, tendo passado a residir neste Município de Rio Pomba, desde a idade de (03) três anos; que sempre professou a religião Católica Apostólica Romana; que a cruz que a ela testadora foi entregue, quem a carrega é o Sagrado Coração de Jesus, em todos estes anos de sua existência; que ao Sagrado Coração de Jesus, a testadora entregou sua vida, e a ele deve a própria vida e tudo o que tem; que é filha legítima de Joaquim Dornellas da Costa e de D. Deolinda Maria de Jesus, ambos falecidos, não tendo a testadora, ascendentes e nem descendentes, podendo, pois, dispor livremente de seus bens. Disse a testadora, sempre em presença das testemunhas que, por compras feitas do Dr Último de Carvalho e sua mulher e Luiz Homem da Costa Campos e sua mulher e, ainda, em virtude de heranças de seus pais Joaquim Dornellas da Costa e D. Deolinda Maria de Jesus, é ela testadora senhora e legítima possuidora de bens imóveis consistentes em terras e benfeitorias, situados na zona rural deste Município de Rio Pomba-MG.; que é também possuidora de bems imóveis, inclusive semoventes, que se encontram no referido imóvel, localizado no lugar denominado "LINDO VALE". Declarou, então, a testadora FLORIPES MARIA DE JESUS, também conhecida por FLORIPES DORNELLAS DA COSTA, que determina que por ocasião de seu falecimento os bens imóveis referidos, bem como os bens móveis, semoventes que possuir, ficarão pertencendo em sua totalidade à CONGREGAÇÃO DOS PADRES JESUÍTAS DO BRASIL, ficando reservado o usufruto vitalício dos mesmos bens para DORVINA MARIA DE JESUS, também conhecida por DORVINA DORNELLAS DA COSTA, brasileira, solteira, maior, de prendas do lar, com a idade de, mais ou menos, setenta e sete (77) anos, residente e domiciliada em companhia da testadora, sua irmã. Declarou a testadora, que sua irmã Dorvina Maria de Jesus, também conhecida por Dorvina Dornellas da Costa, depois do falecimento dela outorgante testadora, terá o direito de usufruir dos referidos bens enquanto viva for, administrando os ditos bens, sem a intervenção de terceiros, não ser que essa intervenção se faça em virtude de consentimento expresso da usufruta’ria. Disse, ainda, a testadora, que no caso de sua irmã Dorvina falecer, antes dela testadora, os mencionados bens pertencerão à CONGREGAÇÃO DOS PADRES JESUÍTAS DO BRASIL, isentos da cláusula de usufruto, por ocasião do falecimento dela testadora; sendo que os bens deverão ser administrados pelos Reverendíssimos Padres Romeu Ribeiro de Faria e Roque Schneider, ou se estes já tiverem falecidos, seus respectivos sucessores nos cargos em que ocupam; que os bens terão a seguinte destinação: os representantes da Congregação deverão conservá-los, podendo construir nas terras, convento, seminário, casa de retiro, mas utilizar referidos bens, principalmente para propagar a devoção do Sagrado Coração de Jesus, na mesma medida em que a outorgante testadora propaga, a fim de que o Sagrado Coração de Jesus seja conhecido e amado; que deverão ser distribuídos anualmente, vinte e quatro (24) imagens do Sagrado Coração de Jesus, quadros para entronização, quarenta mil exemplares da novena eficaz do Sagrado Coração de Jesus, trinta mil exemplares do livrinho "Grande Promessa", trinta mil exemplares do santinho de anotar novenário e, fitas para os homens do apostolado do Sagrado Coração de Jesus de Rio Pomba-MG., sendo a distribuição gratuita. Disse a testadora que é desejo seu que os bens imóveis e móveis sejam conservados e nunca alienados, mas se for necessária e benéfica a alienação dos bens, que seja feita, mas de maneira que nunca seja interrompida a propagação do Sagrado Coração de Jesus conforme foi determinado; que a permuta por outros bem imóveis; somente poderá efetivar-se, se estes bens estiverem situados neste Município de Rio Pomba-MG.; que qualquer que seja a forma de alienação, a propagação ao Sagrado Coração de Jesus, as distribuições gratuitas não poderão ser interrompidas neste Município de Rio Pomba-MG., pois é aqui que a outorgante testadora sempre viveu e pretende ficar até os últimos dias de sua vida, se esta for a vontade de Deus. Disse finalmente a testadora que todos os demais bens que possuir por ocasião de seu falecimento e que não foram expressamente mencionados neste instrumento, ficarão pertencendo à CONGREGAÇÃO DOS PADRES JESUÍTAS DO BRASIL; que, por este instrumento revoga todo e qualquer testamento público ou particular, codici-lo que, por ventura, haja anteriormente feito, para que só este tenha inteira e plena validade como manifestação de sua última vontade; que nomeia testamenteiros os Reverendíssimos Padres Romeu Ribeiro de Faria e Roque Schneider, servindo um na falta ou impedimento do outro, na ordem em que foram nomeados".

A Igreja aguarda as decisões superiores da Congregação dos Padres Jesuítas do Brasil que deverá nomear um procurador para as devidas providências e, faz votos para que essa obra apostólica seja entregue à comunidade riopombense, regida sob a esclarecida orientação da Diocese de Mariana e das Paróquias. Com essa liberação, as paróquias têm intenção de manter a conservação da sede do Sítio Lindo Vale e transformar o local num centro de evangelização e propagação à devoção do Sagrado Coração de Jesus com as edificações de um Santuário e uma casa de retiro espiritual para os movimentos de pastorais da Igreja, notadamente os Encontros de Adolescentes, de jovens, de casais, e do Cursilho da Cristandade. A comunidade contribuirá com dedicação às pastorais e à expansão da obra missionária de Lola.

FONTE: O IMPARCIAL – 02/05/1999

Lola ganha mais repercussão nacional

A arquidiocese de Mariana, representada pela Vigário Episcopal e pároco do Santuário de N. S. da Piedade, em Barbacena, Pe. Paulo Dionê Quintão, marcou presença na noite de 13 de maio último, na Rede Vida de Televisão, em São Paulo, na "Tribuna Independente"comandada pelo jornalista Luiz Antônio. Pe. Paulo Dionê foi o entrevistado do programa que deu enfoque ao tema "A Força da Eucaristia", centrado na vida mística de Floripes Maria de Jesus – nossa inesquecível Lola – , a qual encontrou no sacerdote, seu assistente espiritual, o bálsamo e o conforto. Compuseram a Tribuna, o Reverendíssimo. Pe. Mário Marcelo da Costa, vigário da Matriz de São Manoel, de Rio Pomba; o médico assistente de Lola, Cláudio Bomtempo, de Barbacena, o Reverendíssimo. Roque Schneider, da Congregação Jesuítas e Diretor Nacional do Apostolado da Oração, através do qual Lola difundia a devoção ao Sagrado Coração de Jesus; e o diácono Prado; administrador da Paróquia Sant’ana, de Antônio Carlos. Os pontos essenciais destacados na vida de Lola foram: sua força espiritual encontrada na Eucaristia, da qual ela se alimentava diariamente há mais de 60 anos; seu altruísmo, senso de justiça e dom de liderança no ponto de vista administrativo; sua sensibilidade e percepção para captar os problemas das pessoas; além de seus recursos no sítio advindos da pecuária e empregados para aquisição de artigos religiosos, doados por ela os devotos do Coração de Jesus, visando sua repercussão. Pe. Dionê enfatizou sua vida contemplativa dedicada na singeleza de seus trabalhos artesanais em flores matizadas e adornos para altar e oratórios que foram focalizados pela TV, também com imagens do sítio e do interior de sua residência. Ao ser indagado sobre o processo para a beatificação de Lola, ele frisou que ainda não foi iniciado, mas que já tem posse de algumas documentações, inclusive milagres operados pela força de Deus como a cura de um câncer de mama por intercessão das orações de Lola ao Sagrado Coração de Jesus. Destacando a força poderosa da oração, mencionou o milagre maior encontrado em Rio Pomba encontrado atualmente dentro da associação religiosa do Apostolado da Oração feminino e masculino, este último introduzido por ela e que atinge um número elevado de mais de 1000 homens associados na difusão da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Em rede nacional o programa alcançou grande repercussão, inclusive entre a população riopombense que despertou seu interesse em contatar a emissora através de mensagens e perguntas ao entrevistado, que foram pouco divulgadas pela exiguidade do tempo. Pena, pois Rio Pomba merecia prioridade por ter sido o programa voltado para a vida de uma personalidade histórica e amada do nosso município.